Manaus (AM) – O investigador da Polícia Civil do Amazonas e renomado treinador de jiu-jitsu, Melqui Galvão, 47, foi detido nesta terça-feira (28/4), em Manaus. A prisão cumpre um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça de São Paulo, com validade de 30 dias, no âmbito de uma investigação que apura crimes graves de natureza sexual cometidos contra adolescentes.
O caso tramita sob segredo de Justiça desde o dia 23 de abril. Além da restrição de liberdade, a decisão judicial autorizou medidas de busca e apreensão e a quebra de sigilos eletrônicos do investigado para a coleta de provas.
As suspeitas que pesam contra Galvão incluem um rol de crimes que teriam ocorrido em um ambiente de proximidade e confiança mútua. De acordo com informações do processo, o treinador é investigado por estupro; importunação sexual; ameaça; e invasão de dispositivo eletrônico.
As investigações apontam que o ambiente esportivo pode ter sido utilizado como fachada para a aproximação e possível intimidação das vítimas. Há indícios de que o prestígio do treinador na comunidade das lutas servia como mecanismo de silenciamento dos jovens atletas.
O caso ganhou repercussão nacional após a circulação de um áudio atribuído a Melqui Galvão nas redes sociais. Na gravação, o investigado tenta se justificar sobre um episódio envolvendo uma das vítimas, admitindo um toque físico, mas negando ter dopado a menor.
“Eu não coloquei a mão por baixo da blusa da sua filha. […] toquei rapidamente, achei que ela estivesse dormindo. Me arrependo profundamente disso. Eu não dei remédio para ela dormir”, diz o trecho do áudio.
Vínculo institucional e medidas administrativas
A prisão de Galvão gera reflexos imediatos na Polícia Civil do Amazonas, onde ele atua como investigador. Embora o vínculo com a instituição ainda conste como ativo, a Corregedoria-Geral deve instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta do servidor sob a ótica ética e profissional.
Até o momento, o investigado se encontra detido em uma unidade prisional de Manaus, à disposição da Justiça paulista. Novas diligências devem ser realizadas nos próximos dias para identificar se existem outras vítimas que ainda não formalizaram denúncias contra o treinador.











