Manaus (AM) – A famosa ‘Rua da Copa’, localizada no bairro Alvorada 1, zona Centro-Oeste de Manaus, virou o centro de uma polêmica. Uma influenciadora digital usou as redes sociais para manifestar descontentamento com a abordagem que sofreu no local, relatando ter sido barrada e cobrada pela coordenação comunitária para realizar gravações de conteúdos estritamente comerciais (as chamadas “publis”) utilizando o cenário decorado como fundo.
A reclamação da criadora de conteúdo ganhou repercussão e levou a página oficial dos organizadores do evento, @ruadacopaofc, a se manifestar publicamente no Instagram. Em nota, a liderança do bairro justificou a cobrança para produções com fins lucrativos e expôs os bastidores financeiros e a falta de apoio para erguer a estrutura que, agora, atrai marcas e agências.
“A questão é: muita gente tá vindo gravar publi comercial. Há três meses estávamos rodando essa Manaus toda atrás de patrocínio, pra comprar bandeirinhas que são tão baratas, e ninguém queria contribuir. Fazemos bingos todos os domingos pra arrecadar fundos pra rua”, desabafou a organização na publicação.
Os moradores ressaltaram o sentimento de exploração comercial por parte de marcas e influenciadores que ignoram o processo coletivo de confecção e aparecem apenas na fase final do projeto. “Agora que a rua tá 70% pronta querem ganhar dinheiro com publicidade em cima da nossa rua?!”, questionou o perfil oficial.
O impasse sobre o uso comercial do espaço
O episódio trouxe à tona um impasse complexo na capital amazonense sobre os limites entre o uso da via pública e o valor do trabalho comunitário espontâneo. De um lado, a decoração tradicional do bairro Alvorada exige meses de dedicação voluntária, recursos tirados do próprio bolso dos moradores e a realização de rifas locais para ganhar forma. Do outro, o cenário é montado em uma rua pública, o que gera questionamentos sobre a legalidade de se restringir ou taxar o livre acesso e o registro de imagens no local.
Até o momento, a coordenação da Rua da Copa da Alvorada mantém a diretriz firme de que produções com finalidade comercial e publicitária devem, sim, colaborar financeiramente com o fundo comunitário que viabiliza e mantém a tradição histórica do bairro viva.











