Manacapuru (AM) – O município de Manacapuru (a 103 quilômetros de Manaus) tornou-se o centro de uma polêmica nesta semana após a circulação de vídeos que mostram um episódio de “justiça com as próprias mãos”. Um homem, acusado por populares de cometer furtos na região, foi submetido a um constrangimento público extremo ao ser obrigado a percorrer as ruas da cidade completamente nu.
As imagens, gravadas por um indivíduo em uma motocicleta, registram o momento em que o suposto assaltante tenta fugir a pé enquanto é escoltado pelo autor da filmagem. Durante o trajeto, o homem é alvo de insultos e ameaças de morte.
“Vagabundo roubando em Manacapuru. Vai descer a principal nu. Bora porra, mete o pé!”, grita o autor da gravação em um dos trechos. O tom das ameaças se intensifica logo em seguida: “Tu tá sabendo, se pisar aqui vai ser sal [gíria para execução] seu otário”.
Exposição e Repercussão
Em um segundo momento do vídeo, o suspeito aparece nu na garupa de um mototaxista, enquanto a perseguição continua. O homem que filma reforça as acusações, alegando que o indivíduo estaria praticando crimes em uma área residencial da cidade.
O episódio rapidamente viralizou em grupos de mensagens, dividindo opiniões. Enquanto alguns moradores apoiaram a medida como forma de “lição”, outros alertaram para o perigo de punições informais que violam direitos fundamentais e podem configurar crimes de tortura, injúria ou ameaça.
Silêncio das Autoridades
Até o fechamento desta matéria, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e a Polícia Militar ainda não haviam se pronunciado oficialmente sobre a ocorrência. Não há confirmação se o homem foi formalmente entregue a uma delegacia ou se houve abertura de inquérito para investigar os responsáveis pela coação e pela divulgação das imagens, o que é vedado pela legislação brasileira.
Especialistas em segurança pública reforçam que, embora a revolta popular seja reflexo da sensação de insegurança, a orientação é sempre acionar o 190 ou o 181, permitindo que o sistema jurídico aplique as sanções devidas dentro da lei.











