Manaus (AM) – Parte de uma ossada humana foi encontrada no início da tarde desta quarta-feira (27/5), no último andar do icônico prédio histórico abandonado que abrigou, por décadas, a sede da Agência Central dos Correios. O imóvel fica localizado no Centro de Manaus, nas proximidades do Relógio Municipal.
De acordo com informações dos policiais da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), que atenderam a ocorrência após receberem uma denúncia anônima, no local foram encontrados uma mandíbula, a coluna espinhal e outros ossos humanos. A equipe policial informou ainda que os restos mortais podem ter ligação direta com um crânio que foi encontrado dentro de uma lixeira na Praça Tenreiro Aranha, também no Centro, no último dia 6 de maio.
O Instituto Médico Legal (IML) foi acionado e realizou o recolhimento dos ossos. Um laudo pericial detalhado deve apontar oficialmente as causas da morte e a identidade da vítima. A principal suspeita das autoridades é de que a ossada seja de José Naedno Mendes dos Santos, que está desaparecido desde o dia 8 de julho de 2025.
Abandono e promessas de revitalização
Atualmente, o antigo prédio dos Correios encontra-se em avançado estado de abandono, servindo de abrigo para pessoas em situação de rua e também sendo utilizado para práticas criminosas devido à falta de segurança.
O descaso com o imóvel se arrasta mesmo após tentativas de intervenção do poder público. Há pouco mais de um ano, no dia 13 de março de 2025, diretores do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e representantes dos Correios se reuniram para alinhar ações de revitalização do espaço. Na época, foi acordado um termo de cooperação para a cessão do prédio histórico, mas, até o momento, nenhuma obra ou medida prática foi realizada no local.
Patrimônio histórico do ciclo da borracha
O edifício possui estilo arquitetônico eclético e foi construído no início do século 20 para abrigar a antiga firma Marius & Levy. Entre as suas características marcantes estão o revestimento cerâmico e os tijolos aparentes em toda a fachada, que transformaram o imóvel em um dos principais ícones arquitetônicos do período áureo do ciclo da borracha na Amazônia.
A Empresa de Correios e Telégrafos passou a ocupar o edifício em 1921. Devido à sua importância cultural e histórica, o prédio foi oficialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1988.











