Manaus (AM) – O ataque a tiros que feriu um oficial da Polícia Militar durante agenda da equipe do candidato ao Senado Wilson Lima (União Brasil), na noite de quinta-feira (3/9), no bairro Novo Israel, teve ordem direta da cúpula do Comando Vermelho (CV) radicada no Rio de Janeiro. A determinação para proibir comícios na área partiu de um dos traficantes mais procurados da facção, conhecido no meio criminal pelo vulgo de “CL”.
Natural do Amazonas e foragido do sistema penitenciário local, “CL” atua atualmente como uma das lideranças estratégicas da facção a partir do Complexo da Penha e do Salgueiro, em território fluminense, de onde comanda à distância execuções, o tráfico de drogas e a imposição de “barreiras comunitárias” na Zona Norte de Manaus.
A conexão com o narcotráfico do Rio de Janeiro e a identidade do mandante foram confirmadas a partir da prisão de Guilherme Herculano Andrade e Eduardo Souza da Costa. A dupla foi interceptada em uma operação conjunta entre as Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), a Casa Militar e o Departamento Integrado de Operações Aéreas (Dioa).
Instruções do Rio e Confissão dos Suspeitos
Em vídeos gravados durante a abordagem e anexados à investigação, os suspeitos revelam que a ordem enviada por “CL” era para invadir o evento e efetuar disparos com o objetivo de dispersar a equipe de campanha e vetar a presença de candidatos da coligação na comunidade.
“Era pra parar com o comício lá, eles falaram pra mim, senhor”, revelou um dos presos no momento da abordagem.
Conforme o relato dos detidos, a articulação em solo manauara foi repassada por um intermediário de apelido “Macaco”. O suspeito conhecido como “Gordinho” teria recebido instruções para atirar para o alto, mas acabou direcionando os disparos contra o oficial da Polícia Militar responsável pela escolta de segurança.
Confronto de Provas e Investigação
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e a inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM) trabalham no cruzamento dos dados de telefonia e nas escutas que ligam o grupo local a “CL” no Rio de Janeiro.
Os dois executores permanecem presos e à disposição do Judiciário. A polícia mantém as diligências para capturar “Macaco”, “Gordinho” e os demais envolvidos na ação criminosa.












