A declaração de Wagner Moura sobre a existência de um “fascismo de esquerda” ganhou um novo capítulo no meio cultural. O cineasta Newton Cannito convidou o ator para um debate público sobre liberdade de expressão, cancelamento e pluralidade artística.
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Cannito, criador de séries como “Unidade Básica” e “Utopia Brasil”, afirma que já enfrentou resistência ao abordar o mesmo tema. De cordo com ele, a série documental “Utopia Brasil” chegou a ser produzida e aprovada, mas o canal responsável recusou sua exibição após assistir à versão final.
Entre os pontos que teriam provocado resistência estavam por exemplo a participação de Antônio Risério em defesa da mestiçagem, a discussão sobre autoritarismo na esquerda e o tom satírico da produção.
“Agora Wagner Moura pode falar em fascismo de esquerda no programa do Bial e ainda bem que pode. Mas meu filme acabou impedido de chegar ao público quando apresentou essa discussão. Talvez o Brasil esteja finalmente preparado para assistir ao filme que dizia isso antes”, destacou Cannito.
Convite reúne outros artistas
A proposta também ganhou apoio do humorista Rogério Morgado e da associação Artistas Livres. O grupo oferece suporte para organizar o encontro no formato escolhido por Wagner Moura.
“Não estamos convidando Wagner para uma briga. Estamos convidando para um encontro que pode ser histórico para a cultura brasileira”, afirma Cannito.
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Além disso, o cineasta defende uma investigação sobre relatos de artistas que enfrentaram cancelamentos, afastamentos ou dificuldades para apresentar trabalhos por divergências ideológicas.
Projeto pretende registrar casos de censura
A iniciativa inclui ainda a criação da Comissão da Verdade da Censura na Arte. O núcleo independente pretende reunir relatos de roteiristas, diretores, músicos e atores sobre possíveis práticas de censura no setor.
Em paralelo, a Comunidade Utopia Brasil prepara a série audiovisual “Censura Estrutural”, baseada no livro homônimo de Cannito. Com prefácio do advogado constitucionalista André Marsiglia, a produção abordará casos nos quais a pressão ocorre sem uma proibição oficial.
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De acordo com os organizadores, o material também tratará de cortes de crédito, perda de convites e impedimentos para obras já concluídas chegarem ao público.
O projeto prevê ainda bolsas de acolhimento e reciclagem criativa para profissionais afastados do mercado.
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Os organizadores afirmam que o convite não representa um ataque pessoal a Wagner Moura. A proposta, segundo eles, consiste em ampliar a discussão sobre pluralidade e liberdade no setor cultural.
A intenção é promover um encontro baseado no chamado “desafio democrático”, com espaço para diferentes posições políticas.
“Venham a nós os cancelados”, conclui Cannito. “Queremos transformar a experiência do cancelamento em criação, aprendizado e futuro”, destacou.
Fonte: O Fuxico











