Manaus (AM) – O Aeroclube do Amazonas (ACA) tem um prazo de 40 dias para desocupar integralmente suas instalações no Aeroporto do bairro Flores, na zona Centro-Sul de Manaus. A decisão foi formalizada em uma audiência de conciliação com a Infraero na quarta-feira (22/10), pondo fim a um intenso e melancólico litígio pela área.
O prazo finaliza um período de alta tensão para a instituição, que na semana passada chegou a enfrentar uma ordem de despejo de apenas cinco dias, posteriormente suspensa pela Justiça Federal. Para o presidente do ACA, Cassiano Orozco, o resultado da audiência foi uma “derrota anunciada”.
“Hoje teve uma audiência para nós explicarmos o que estava acontecendo com a tentativa de nos despejar daqui. Nessa audiência de conciliação, realmente, nós fomos lá já perdedores… as alegações da Infraero se sobrepunham à nossa vontade,” lamentou Orozco.
O presidente explicou que o acordo foi a única saída para proteger a associação e seus voluntários de multas e possíveis execuções judiciais de bens. A dívida pós-Infraero já superaria R$ 400 mil.
Estrutura operacional ameaçada
A desocupação afeta toda a estrutura operacional e educacional do Aeroclube, que funciona como um crucial Centro de Instrução e Aviação Civil (CIAC) para a formação de pilotos na região.
Em 40 dias, deverão ser esvaziadas as salas de aula, de simuladores (link trainers), administração, e todos os aviões precisarão ser retirados do hangar.
Visivelmente emocionado, Orozco, que frequenta o local desde 1978, expressou seu abatimento: “Arrasado. Tudo que foi feito aqui foi feito com muito carinho, muito cuidado e muita dedicação.”
O presidente criticou a Infraero, que assumiu a gestão do Aeródromo de Flores em 2023 por decreto federal: “A atividade dela não é gerenciar escola nem é atividade aeronáutica, é de infraestrutura.” Ele sugere que a estatal age com “fim arrecadatório”, visando se reestabelecer financeiramente na área por meio de novos aluguéis.
Futuro da formação de pilotos
Apesar do golpe, o ACA garante que tentará sobreviver. Orozco destacou que o problema é nacional, com 26 outros aeroclubes enfrentando situações semelhantes.
Sem um novo local definido, o foco é a reorganização para manter as atividades. “A intenção é não parar a escola e dar continuidade. Vamos nos esforçar para isso, dar continuidade às aulas que estão em andamento, mesmo utilizando a pista pública e a parte teórica com adaptações”, concluiu Orozco.











