Manaus (AM) – As celebrações da Independência no Amazonas acontecem em dois cenários distintos neste domingo ,7 de Setembro. Pela manhã, o Sambódromo foi palco do desfile das Forças Armadas, reunindo Exército, Marinha, Aeronáutica e forças auxiliares em solenidade marcada por ordem, disciplina e símbolos cívicos.
À tarde, a atenção se volta para a praia da Ponta Negra, na zona Oeste da capital mas em um movimento político convocado pelo movimento de Direita do Amazonas . A partir das 16h, apoiadores da ala direitista participam do ato político batizado de “Reaja Brasil”, convocado por lideranças locais como o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) e a deputada estadual Débora Menezes (PL) em prol do ex-Presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso em prisão domiciliar em Brasília.
A mobilização repete o roteiro de agosto, quando cerca de 2 mil manifestantes (dados extra oficiais), se reuniram em Manaus defendendo anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e pedindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, a convocatória faz parte de uma ação nacional que, segundo os organizadores, deve ocorrer em pelo menos 95 cidades, incluindo seis no exterior.
As manifestações acontecem em meio à situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o declarou inelegível por oito anos, ao condená-lo por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante uma reunião com embaixadores, quando atacou o sistema eletrônico de votação.
Além disso, Bolsonaro ainda responde a outras investigações que envolvem sua atuação durante a pandemia e questionamentos sobre o processo eleitoral de 2022. Esses desdobramentos têm alimentado tanto críticas ferrenhas quanto a mobilização de sua base, que segue ativa nas ruas.
Dois 7 de Setembro em Manaus
O contraste é evidente: de um lado, o desfile oficial no Sambódromo, símbolo de disciplina militar e celebração da soberania nacional; de outro, a manifestação na Ponta Negra, marcada por discursos de contestação ao Supremo Tribunal Federal e pela defesa do ex-presidente.
Assim, em vez de ser apenas uma data de unidade nacional, o 7 de Setembro em Manaus também reflete a polarização política que segue dividindo o Brasil.









