Impasse sobre prorrogação da votação gera incerteza no Amazonas após decisão do STF

TRE-AM afirma que votação no estado já foi encerrada e aguarda orientação oficial do TSE sobre como cumprir determinação de Cristiano Zanin, que ampliou o horário até as 19h em todo o país.
Foto: Reprodução

Manaus (AM) – A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender até as 19h o horário de votação do segundo turno das eleições provocou um impasse no Amazonas. Segundo a presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), desembargadora Carla Reis, a votação no estado já havia sido encerrada quando a determinação foi anunciada, e a Justiça Eleitoral amazonense ainda não havia recebido uma comunicação oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os procedimentos a serem adotados.

Em declaração à imprensa, Carla Reis afirmou que o sistema eleitoral foi interrompido para que o TSE pudesse cumprir a determinação judicial. A presidente do TRE-AM disse que a corte estadual aguardaria novas orientações para definir como proceder.

“O sistema parou em todo o país. TSE está dando cumprimento à determinação do STF. Vamos aguardar as decisões e cumprir. Ordem superior se cumpre”, declarou.

A decisão de Zanin foi tomada após uma ação apresentada pela campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido apontou dificuldades na circulação do transporte público em diferentes cidades brasileiras, situação que, segundo a campanha, poderia prejudicar o deslocamento de eleitores até os locais de votação.

No Amazonas, de acordo com o TRE-AM, não foram registrados problemas de acesso às seções eleitorais relacionados ao transporte público. Também não houve, neste segundo turno, a formação de filas como as observadas no primeiro turno.

O principal questionamento da Justiça Eleitoral amazonense é operacional. Segundo Carla Reis, as urnas eletrônicas já haviam iniciado a transmissão dos resultados após o encerramento da votação, e o tribunal ainda não tinha recebido instruções oficiais sobre como aplicar a prorrogação no estado.

“Não recebemos nada oficial. Não sei como poderemos cumprir. Já está encerrada”, afirmou a desembargadora.

A desembargadora Vânia Marques Marinho também destacou as limitações técnicas do procedimento eleitoral. Segundo ela, depois que a votação é encerrada em uma urna eletrônica, o equipamento não pode simplesmente ser reiniciado para receber novos votos.

“Encerrada a votação na urna, nós não temos como reiniciá-lo. É preciso que o TSE determine de que forma essa decisão vai ser cumprida. Assim que o TSE nos der o direcionamento, nós cumpriremos”, explicou.

Diante do cenário, o TRE-AM aguarda uma orientação formal do TSE para esclarecer como a decisão do STF deverá ser aplicada no Amazonas, onde o processo de votação já havia sido finalizado.

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