Manaus (AM) – Publicações suspeitas de conter informações falsas ou materiais manipulados estão entre os alvos do monitoramento realizado pela Justiça Eleitoral no Amazonas. Em pouco mais de um mês, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) analisou 84 conteúdos com o auxílio de uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida para apoiar o combate à desinformação durante as eleições de 2026.
O trabalho é realizado por meio da plataforma GuaIA, utilizada pelo Comitê de Enfrentamento à Desinformação (CED) do tribunal desde 16 de agosto, quando começou a propaganda eleitoral. A tecnologia permite fazer uma triagem inicial de publicações que podem apresentar informações enganosas, imagens alteradas ou possíveis irregularidades nas regras de divulgação eleitoral.
O TRE-AM ressalta, porém, que os 84 materiais analisados não correspondem necessariamente a infrações comprovadas. A identificação de conteúdos suspeitos é apenas uma etapa do processo, que depende de verificação humana antes da definição de eventuais providências.
Sistema monitora publicações e denúncias
A GuaIA auxilia os servidores na análise de materiais recebidos por denúncias e também daqueles identificados durante o monitoramento da internet. Entre os canais utilizados está o aplicativo Pardal, destinado ao encaminhamento de denúncias de possíveis irregularidades eleitorais.
A ferramenta pode auxiliar na identificação de notícias falsas, imagens manipuladas, vídeos e áudios produzidos ou alterados artificialmente, além de pesquisas e enquetes que possam descumprir as normas eleitorais.
Segundo o TRE-AM, entre os conteúdos que aparecem com frequência nas análises estão publicações com informações inverídicas, imagens manipuladas e enquetes ou pesquisas que não seguem os critérios estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
Inteligência artificial não decide sozinha
Apesar de agilizar a triagem, a plataforma não determina automaticamente se uma publicação é falsa ou se configura uma infração eleitoral.
Após a análise inicial, os servidores avaliam o contexto em que o material foi divulgado, verificam a veracidade das informações e consideram o possível impacto sobre o processo eleitoral. Essa etapa é necessária para definir se o conteúdo exige uma apuração mais aprofundada.
Quando são encontrados indícios de irregularidade na propaganda, o caso pode resultar na formalização de uma Notícia de Irregularidade em Propaganda Eleitoral (NIP) e em outros encaminhamentos previstos pelas normas eleitorais.
A tecnologia funciona, portanto, como um instrumento de apoio técnico: ela ajuda a identificar materiais que merecem atenção, mas não substitui a análise dos profissionais responsáveis.
Ferramenta foi desenvolvida em parceria com universidade
A plataforma GuaIA foi desenvolvida pelo Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (INF/UFG), em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). O projeto foi criado para auxiliar a Justiça Eleitoral na identificação de desinformação e de conteúdos digitais manipulados.
Além do Amazonas, a ferramenta também é utilizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). A iniciativa busca ampliar a capacidade de monitoramento e tornar mais ágil a identificação de publicações que possam comprometer a circulação de informações confiáveis durante as eleições.
Com o uso da inteligência artificial, o TRE-AM pretende reforçar o trabalho de identificação e apuração de possíveis irregularidades no ambiente digital, mantendo a avaliação humana como etapa fundamental antes de qualquer encaminhamento.






