MPE pede condenação e multa de Joana D’arc por suposto uso eleitoral de dados do CastraMóvel no AM

Representação aponta que informações cadastradas em serviço público de veterinária foram utilizadas para abordagem telefônica com pedido de voto.
Fotos: Divulgação/Sepet

Manaus (AM) – O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a condenação da deputada estadual Joana D’arc (União Brasil) ao pagamento de multa superior a R$ 5,3 mil por suposto uso eleitoral de dados de beneficiários do programa estadual CastraMóvel. A representação por conduta vedada a agente público foi ajuizada pelo procurador regional eleitoral auxiliar Rafael Klautau Borba Costa.

Além da aplicação da sanção pecuniária, o órgão ministerial solicita que a Justiça Eleitoral aplique demais penalidades previstas na legislação conforme o desdobramento e a conclusão do julgamento.

De acordo com os autos do procedimento, a denúncia teve início após um eleitor relatar ter recebido uma ligação telefônica de uma mulher que se identificou como integrante da equipe de campanha da parlamentar.

Durante o contato, a interlocutora indagou sobre o estado de saúde da cadela do morador, atendida pelo programa CastraMóvel mais de um ano antes, e, em seguida, questionou diretamente qual seria a intenção de voto do eleitor para o pleito. O cidadão respondeu que ainda não havia decidido. Uma captura de tela anexada ao processo mostra que o número responsável pela chamada utilizava a imagem de divulgação política da deputada na foto de perfil.

Uso Indevido de Dados Públicos e Desigualdade na Disputa
Na representação enviada à Justiça, o procurador Rafael Costa sustentou que o cadastro de programas assistenciais e de saúde animal do Estado é constituído com recursos públicos e destina-se estritamente à prestação do serviço estatal, não podendo ser capturado para finalidades partidárias.

“O cadastro de beneficiários de programa estadual, com dados pessoais e histórico de atendimento, é patrimônio da Administração, formado com recursos públicos e para finalidade pública”, destacou o procurador, apontando que o acesso privilegiado a esse banco de informações quebra a isonomia e a igualdade de condições entre os concorrentes na disputa eleitoral.

Falta de Resposta de Secretaria Estadual
No decorrer do Procedimento Preparatório Eleitoral, o MPE expediu requisições de informações à Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet) para esclarecer os registros de acesso ao cadastro do eleitor citado e verificar se houve repasse oficial do banco de dados à parlamentar.

Segundo o Ministério Público, a pasta estadual não respondeu a duas notificações oficiais enviadas pelo órgão. A Sepet e a defesa da deputada Joana Darc solicitaram habilitação e acesso às peças do procedimento investigatório.

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