PF mira empresários do transporte em Manaus e apreende dinheiro em operação contra fraude em licitações

Operação Reduto cumpre mandados no Amazonas e em Rondônia para investigar esquema de fraudes, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro; Justiça determinou bloqueio de R$ 9 milhões em bens.

Manaus (AM) – A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9/7), a Operação Reduto, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO), para desarticular um suposto esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Em Manaus, empresários do setor de transporte estão entre os principais alvos da investigação.

Na capital amazonense, agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em uma oficina mecânica localizada na rua Pensador, no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul, onde há diversas ambulâncias e ônibus estacionados, além de um apartamento no Condomínio Riviera, Torre Cannes, no bairro Ponta Negra, zona Oeste.

Durante as diligências em um dos imóveis, a Polícia Federal apreendeu uma grande quantidade de dinheiro em espécie, veículos de luxo, joias e relógios de alto valor. Segundo informações apuradas no local, apenas os relógios recolhidos estariam avaliados em mais de R$ 300 mil.

Ao todo, a operação cumpre 19 mandados de busca e apreensão, sendo nove em Ariquemes (RO), oito em Porto Velho (RO) e dois em Manaus (AM), além de dois mandados de prisão preventiva em Ariquemes, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Rondônia. A decisão judicial também determinou o afastamento de 11 servidores públicos e o bloqueio de bens, ativos financeiros e criptoativos até o limite de R$ 9 milhões.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações começaram em 2024, após Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificarem movimentações financeiras suspeitas envolvendo uma empresa sediada em Manaus que mantinha contratos públicos no Estado de Rondônia.

As apurações apontam para a existência de uma organização criminosa estruturada em duas frentes. A primeira seria responsável por fraudar licitações e direcionar contratos públicos no município de Ariquemes (RO). A segunda atuaria no desvio de recursos públicos por meio de contas de servidores comissionados da Assembleia Legislativa de Rondônia, em um esquema conhecido como “rachadinha”.

Segundo a PF, foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 9 milhões incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. A expectativa é que o material apreendido nesta fase da operação contribua para o aprofundamento das investigações e para a identificação de outros envolvidos.

Até o momento, a Polícia Federal não divulgou os nomes dos investigados e nem informou se houve prisões em Manaus.

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