Manaus (AM) – A prisão de Fernando Batista de Melo, 48, na madrugada deste sábado (24/01), revelou detalhes perturbadores sobre o comportamento do homem após o assassinato do próprio filho, de apenas 3 anos. Segundo a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o suspeito tentou construir uma imagem de “vítima” e buscou gerar comoção familiar logo após o crime, ocorrido na última quinta-feira (22/1), no bairro Cidade de Deus, zona Norte de Manaus.
De acordo com o delegado adjunto da DEHS, Adanor Porto, Fernando apresentava cortes nos braços no momento da prisão. No entanto, a investigação aponta que os ferimentos não foram uma tentativa real de tirar a própria vida, mas uma estratégia calculada.
“Ele fez cortes no braço para tentar passar uma imagem de vítima. Numa videochamada que fez ao seu filho, que mora fora do país, ele mostrava os ferimentos e pediu perdão, mas em nenhum momento pensou em se matar”, afirmou o delegado durante coletiva de imprensa.
Caçada na Mata e Rendição
Após o crime, Fernando fugiu para uma área de mata fechada na Zona Oeste de Manaus, em uma região correspondente ao tamanho de 111 campos de futebol. O isolamento, contudo, foi interrompido pelo cansaço físico.
“Ele mencionou que já estava com muita fome, sede e já não aguentava mais se esconder. Em razão dos cortes, tinha perdido uma quantidade relevante de sangue e estava tonto”, detalhou Porto. Ao sair da mata no bairro Parque Mosaico, o suspeito deu de cara com uma viatura policial e se entregou sem oferecer resistência.
“Silêncio de Covarde”
Apesar de ter conversado informalmente com os policiais no momento da captura, Fernando mudou a postura ao chegar à delegacia. Diante da autoridade policial, ele optou pelo direito constitucional de permanecer em silêncio, o que foi duramente criticado pela equipe de investigação.
“Eu gostaria de dar para vocês detalhes do depoimento desse indivíduo, mas infelizmente ele é tão covarde que não teve coragem de falar. No seu depoimento, se reservou ao direito ao silêncio”, declarou Adanor Porto.
Consequências Criminais
O silêncio do réu, contudo, não trava o processo. A Polícia Civil informou que o inquérito está robusto, baseado em provas técnicas e perícias no local do crime. Fernando Batista de Melo responderá por homicídio triplamente qualificado.
A gravidade do crime, somada à tentativa de manipulação da cena e da própria imagem, deve ser utilizada pelo Ministério Público para sustentar a manutenção da sua prisão preventiva. O homem segue à disposição da Justiça e passará por audiência de custódia ainda neste final de semana.











