A Prefeitura de Manaus, por meio das secretarias municipais de Saúde (Semsa) e de Educação (Semed), realizou o lançamento do “Samuzinho Manaus”, na tarde desta quarta-feira, 9/9, com uma aula magna reunindo gestores, servidores e acadêmicos bolsistas do projeto. A iniciativa do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), vinculado à Semsa, visa aproximar a comunidade escolar do serviço municipal e difundir noções de primeiros socorros e prevenção de acidentes entre alunos da rede municipal de ensino.
O projeto tem a previsão de alcançar 580 crianças de 9 a 12 anos de idade, cursando a partir do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, de oito unidades de ensino da Semed Manaus, nas zonas urbana, rural ribeirinha e rural terrestre da capital.
O secretário municipal de Saúde, Nagib Salem, destacou que o projeto vai alcançar 580 crianças de oito unidades da rede municipal de ensino, das zonas urbana e rural, difundindo o papel e a importância do serviço municipal de urgência entre os jovens estudantes.
“Estamos muito felizes porque é mais uma iniciativa em parceria com a Semed, e seguindo a orientação do prefeito Renato Junior de unirmos esforços e trazermos projetos inovadores para aproximar cada vez mais a prefeitura da população”, declarou Nagib.
O titular da Semed, Arone Bentes, lembrou que a formação de crianças em primeiros socorros há bastante tempo é comum em países desenvolvidos. “É um exercício da cidadania e uma aula para a vida, e deve começar cedo. O projeto é voltado a crianças de 9 a 12 anos, idade em que elas estão mais preparadas para aprender, e com ele teremos realmente uma população preparada para o exercício da cidadania”, afirmou o secretário.
As crianças participantes do “Samuzinho Manaus”, segundo a diretora da Rede Pré-Hospitalar Móvel e Sanitária da Semsa, Elen Assunção, serão capacitadas para identificar situações de urgência e emergência em casa. “O projeto também contribui para mitigar o uso inadequado do 192, quando elas entenderem a importância do atendimento e das condutas do Samu. Isso irá diminuir os números de trotes, que ainda recebemos muito, principalmente de jovens em idade escolar”, disse.
Para a coordenadora do “Samuzinho” e apoio técnico da Gerência de Enfermagem do Samu Manaus, enfermeira Ivany Vinhote, o projeto é a concretização de um sonho. “Esse é um sonho baseado no que nós acreditamos ser importante, que é ter a saúde aliada à educação em prol da cidadania”, afirmou a servidora.
Após a mesa de abertura, a equipe do “Samuzinho Manaus”, ao lado de gestores e servidores da Semsa, Samu 192 e Semed, participaram de palestra do gerente técnico do Samu Manaus, Eduardo Fernandes. Ele apresentou um panorama sobre o “Samuzinho”, abrangendo desde as origens do projeto e sua adaptação para a realidade brasileira, até a edição-piloto, realizada pelo Samu Manaus em 2023.
“Como projeto de extensão, queremos ganhar um espaço ainda maior para essa iniciativa e colher bons frutos para a população de Manaus”, pontuou o gerente.
Educação em saúde
Por meio do “Samuzinho”, o Samu Manaus irá ensinar aos alunos da rede municipal de educação noções sobre o funcionamento do serviço móvel de urgência e sobre os cuidados imediatos na atenção a vítimas de acidentes ou mal súbito. O projeto é desenvolvido com o apoio da Escola de Saúde Pública da Semsa (Esap Manaus), por meio do Programa de Extensão em Serviços de Saúde (Proext Saúde), e em parceria com a Semed.
A iniciativa vai alcançar 580 crianças, de 9 a 12 anos, alunas do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental de oito escolas: Centro Integrado Municipal de Ensino (Cime) Dra. Viviane Estrela Rodella, da Divisão Distrital Zonal (DDZ) Norte da Semed; escola municipal Djalma Passos, DDZ Centro-Sul; escola municipal São João, DDZ Oeste; escola municipal Catarina da Paz, DDZ Leste 1; escola municipal Roberto dos Santos Vieira, DDZ Leste 2; escola municipal Joaquim da Silva Pinto, DDZ Sul; e escolas municipais José Sobreira do Nascimento e Profª Maria Isabel Melgueiro, ambas do DDZ Rural, situadas nas zonas rural ribeirinha e rural terrestre, respectivamente.
Cada turma terá aulas expositivas e práticas simuladas com bonecos e acessórios, com conteúdo dividido em quatro eixos. No primeiro deles, as crianças vão conhecer o Samu 192 e como ele funciona, saber como relatar ocorrências e evitar os trotes. Nos demais, vão aprender a reconhecer e lidar com casos de parada cardiorrespiratória, acidente vascular cerebral (AVC) e engasgo, respectivamente. Cada eixo terá três horas de atividades, totalizando 12 horas de formação.
Conforme Ivany Vinhote, na etapa inicial, até outubro, a equipe do projeto vai participar de treinamentos sobre questões éticas e legais, e trabalhar as metodologias e trilhas formativas do curso, a fim de tornar as atividades mais lúdicas e atrativas para as crianças.
“Queremos trabalhar metodologias ativas, com foco não só na saúde e na educação como no desenvolvimento da cidadania das crianças, no sentido de elas conhecerem e terem mais segurança ao vivenciarem situações de emergência no cotidiano”, aponta a coordenadora.
O grupo conta com dez profissionais, sendo técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos do Samu Manaus, uma pedagoga da Semed e um supervisor da Esap Manaus. Completam a equipe de extensionistas três acadêmicos, dos cursos de Medicina, Enfermagem e Pedagogia. “Nosso objetivo é aproximar esses acadêmicos da realidade da atenção pré-hospitalar, enquanto eles vão nos trazer inovações em suas áreas e caminhos que possamos trilhar”, observa Ivany.
Após a preparação, as atividades nas escolas têm previsão de iniciar em novembro deste ano, em unidades de educação na zona urbana, com uma pausa durante o recesso escolar e retomada no início do ano letivo de 2027, nas zonas rural terrestre e ribeirinha.
Ação transformadora
Criado no Distrito Federal, em 2007, o “Projeto Samuzinho” hoje é desenvolvido por prefeituras e unidades do Samu 192 em diferentes regiões do país. Em Manaus, as primeiras articulações e ideias em torno da iniciativa começaram a surgir naquele período, evoluindo até uma edição-piloto em 2023, com proposta adaptada à realidade local, escrita e estruturada pela enfermeira do Samu, Gisele Torrente, com o apoio do Núcleo de Educação em Urgência do serviço.
Para fortalecer sua identidade amazônica e criar maior proximidade com o público infantil, o “Samuzinho Manaus” também ganhou uma mascote com características que remetem à população e à cultura da região, tendo pele morena, olhos castanhos e elementos inspirados na identidade amazônica.
A edição-piloto de 2023, realizada em formato reduzido, alcançou 95 alunos de três escolas da cidade. Neste ano, em parceria com a Esap Manaus, a iniciativa prevê alcançar mais alunos e escolas, contando com uma equipe maior e conteúdos ampliados.
Ivany Vinhote, que participou do projeto-piloto, define o “Samuzinho” como uma ação transformadora de educação em saúde, indo além do currículo escolar para promover formação em cidadania para a vida.
“Ele aproxima as crianças do Samu e as inspira a enxergar novas possibilidades para o futuro, despertando o interesse e a afinidade com a área da saúde e mostrando que, por meio da educação, do conhecimento e da dedicação, elas também podem, um dia, tornar-se profissionais do serviço”, aponta a coordenadora.
Para Ivany e o resto da equipe do “Samuzinho Manaus”, a expectativa é que o projeto possa crescer e chegar a mais escolas nas zonas urbana e rural. “Nosso sonho é que ele se torne um programa permanente do Samu, alcançando cada vez mais crianças e aproximando o serviço da comunidade por meio da educação em saúde”, conclui.
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Texto – Jony Clay Borges / Semsa
Fotos – Márcio Gleyson / Semsa
Fonte: Prefeitura de Manaus









