Manaus (AM) – O quarto policial militar envolvido no estupro de uma indígena de 29 anos, da etnia Kokama, foi preso neste domingo (27), na cidade de Tabatinga, no interior do Amazonas. Até agora, quatro dos cinco PMs investigados já foram detidos, além de um guarda municipal também envolvido no crime.
O Ministério Público do Amazonas (MP‑AM) mobilizou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que conseguiu cumprir os mandados de prisão entre os dias 25 e 27 de julho, nas cidades de Manaus, Tabatinga e Santo Antônio do Içá, onde o crime teria ocorrido.
Três policiais e o guarda municipal foram presos no sábado (26); os dois PMs restantes — um de férias e outro em missão — devem se apresentar nos próximos dias em Tabatinga.
O processo corre em segredo de Justiça para garantir a segurança da vítima e resguardar a integridade da investigação.
Relembre o Caso
Segundo o relato da vítima, os abusos ocorreram entre novembro de 2022 e agosto de 2023, durante nove meses em que ela esteve presa provisoriamente na 53ª Delegacia de Santo Antônio do Içá. Ela dividiu uma cela improvisada com presos do sexo masculino e chegou a permanecer ali por cerca de dois meses com o filho recém-nascido para amamentá-lo.
A vítima denunciou ter sido estuprada de forma recorrente e coletiva por quatro policiais militares e um guarda municipal, inclusive durante o pós-parto. Ela relatou que era obrigada a consumir bebidas alcoólicas antes dos ataques e que os abusos ocorriam na presença de outros presos e do próprio filho. O exame de corpo de delito realizado pelo IML confirmou indícios de conjunção carnal com violência. Marcas de agressão foram registradas no abdome, coluna e mama da vítima.
A denúncia foi levada ao público apenas após a transferência da mulher para a Cadeia Pública Feminina de Manaus em agosto de 2023. Até então, ela não havia relatado os abusos nem aos advogados ou assistentes sociais, por medo de retaliação.
Ações Institucionais e Consequências
A Polícia Militar do Amazonas confirmou que já vai indiciar os quatro PMs por estupro e instaurou inquérito interno (IPM) em fase de conclusão. Os envolvidos estão afastados e respondendo a processo administrativo que pode levar à expulsão.
Já a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), e a Corregedoria-Geral de Justiça também atuam nas investigações e a FUNAI e o Ministério da Mulher foram acionados para apoiar a proteção da vítima e prevenir outros casos semelhantes em delegacias do interior do estado.









