Manaus (AM) – Nesta sexta-feira (17/7), a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) descartou, oficialmente, qualquer relação entre a morte de um idoso de 67 anos e o vazamento de gás estireno ocorrido na petroquímica Innova, no Distrito Industrial. O balanço atualizado da pasta aponta que 107 pessoas já buscaram atendimento médico na rede pública em decorrência do incidente químico.
Do total de afetados, 104 pacientes receberam alta após apresentarem sintomas leves, enquanto três pessoas continuam internadas sob observação médica.
Idoso sofria de cardiopatia e doença pulmonar avançada
A suspeita sobre o óbito do idoso ganhou força após familiares relatarem que ele havia sentido o forte odor característico do estireno antes de passar mal. No entanto, o secretário de Saúde, Luiz Alberto Saraiva, explicou que o histórico clínico do paciente afasta a hipótese de envenenamento pelo composto químico.
“Era um paciente com doença pulmonar crônica em estágio avançado, cardiopatia grave e diversas internações anteriores. As avaliações médicas e a declaração de óbito não indicam intoxicação por estireno como causa da morte”, esclareceu o secretário.
Para garantir total transparência, o caso foi encaminhado para investigação pericial, protocolo padrão adotado em episódios de grande repercussão pública.
Raio crítico internacional reforça exclusão de nexo causal
Além do quadro clínico pré-existente, critérios técnicos e geográficos foram utilizados pela SES-AM para descartar a relação direta com o vazamento. O idoso residia na região Central de Manaus, uma área distante do Polo Industrial.
De acordo com a secretaria, os protocolos internacionais de segurança para acidentes químicos estabelecem limites rígidos de impacto. Em caso de vazamento sem explosão, o raio crítico de contaminação direta é de aproximadamente 300 metros e, em caso de explosão, o perímetro de isolamento e risco agudo pode se estender por até 800 metros.
Como o idoso estava a quilômetros de distância do ponto de origem e fora do quadrante de alta concentração, os técnicos reforçam que a inalação do estireno não foi o fator determinante para o óbito.
Sintomas e orientações à população
A maior parte dos 107 atendimentos registrados nos prontos-socorros da capital envolveu queixas de irritação nos olhos, desconforto respiratório e ardência na garganta causados pela névoa que cobriu partes da cidade.
A SES-AM orienta os cidadãos a buscarem ajuda médica imediata caso manifestem sinais de alerta persistentes, tais como dificuldade para respirar ou falta de ar aguda; ardência ou vermelhidão nos olhos e dor de garganta; e mal-estar geral e desconforto abdominal incomum.
Ao dar entrada em uma unidade de saúde, é fundamental que o paciente informe ao médico o momento exato em que os sintomas começaram e se houve exposição ao cheiro do gás.
Enquanto a rede de saúde monitora os pacientes, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e o Corpo de Bombeiros seguem fiscalizando a petroquímica, monitorando a qualidade do ar e avaliando a extensão dos danos ambientais na zona Sul da capital.









