Manaus (AM) – As ruas do Centro de Manaus foram tomadas, nesta sexta-feira (19), por manifestantes contrários à chamada PEC da Blindagem, proposta que dificulta a abertura de processos criminais contra parlamentares. O ato começou com uma marcha pelas avenidas Getúlio Vargas e Sete de Setembro e terminou em uma concentração no cruzamento das ruas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro, reunindo professores, médicos, artistas e representantes de movimentos sociais.
Em cima de carros de som, lideranças locais criticaram tanto a PEC quanto a aprovação da urgência de um projeto que concede anistia a condenados por tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão.
A coordenadora administrativa da Asprom, Helma Sampaio, reforçou a insatisfação da categoria.
“Estamos nos manifestando contra a PEC da blindagem e contra a anistia, além de nos opormos a políticos que, após serem eleitos, não defendem as demandas populares. Esta manifestação é de grande relevância para nós”, afirmou.
O médico Francis Moreno, 44, também participou do ato.
“Esta mobilização é fundamental, tanto em Manaus quanto no restante do Brasil. A proposta busca blindar políticos e permitir crimes impunes. Precisamos impedir esse ataque à democracia”, disse.
Mobilizações em outras capitais
Os protestos não ficaram restritos ao Amazonas. Até o início da tarde, pelo menos oito capitais registraram manifestações contra a PEC. Em João Pessoa (PB), manifestantes gritaram “Fora, Hugo Motta”, em referência ao presidente da Câmara, deputado do Republicanos. Já em São Luís (MA), a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) marcou presença no ato e destacou a força da mobilização popular.
“Se o Brasil inteiro não tivesse se mobilizado, talvez a PEC prosperasse. Quem comete crime tem que responder perante a lei. Não existe casta superior no Brasil”, declarou.
Em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Belém também houve concentrações. Os protestos reuniram movimentos sociais, sindicatos, partidos de esquerda e artistas.
PEC sob análise no Senado
A proposta, aprovada na Câmara dos Deputados, terá agora o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) como relator no Senado. O parlamentar já declarou ser contrário ao texto.
“O relatório será pela rejeição, demonstrando tecnicamente os enormes prejuízos que essa proposta pode causar aos brasileiros”, afirmou.
Com as manifestações se espalhando pelo país, cresce a pressão popular sobre o Congresso. Para os organizadores, os atos desta sexta-feira representam um recado claro: a sociedade não aceitará mecanismos que fragilizem a responsabilização de políticos e abram brechas para a impunidade.









